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Ricardo Robles: “Nas listas do Bloco estão os fazedores e as fazedoras de cidade”

Entrega das listas dos candidatos e candidatas do Bloco de Esquerda aos órgãos autárquicos de Lisboa. Foto Esquerda.net.

O candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lisboa, Ricardo Robles, apresentou as listas da candidatura bloquista a todos os órgãos autárquicos da cidade, no Palácio da Justiça, em Lisboa. Ao seu lado, esteve Isabel Pires, primeira candidata à Assembleia Municipal, bem como muitos dos candidatos e candidatas às 24 juntas de freguesia da cidade.

Ao Esquerda.net, Ricardo Robles referiu que “nas listas do Bloco estão os fazedores e as fazedoras de cidade”. Segundo o candidato, o Bloco configurou listas "muito plurais e muito representativas da cidade de Lisboa".

"Temos uma percentagem de 55% de homens e de 45% de mulheres. Temos um número assinalável de independentes nas nossas listas, 27%, ou seja, um em cada quatro candidatos são independentes”, enunciou.

Segundo Ricardo Robles, as candidaturas do Bloco no concelho de Lisboa cumprem os objetivos a que se propõem, no sentido de alcançar “uma representação forte em todos os orgãos, em todas as freguesias, reforçar a presença na Assembleia Municipal e, naturalmente, conquistar um espaço na Câmara Municipal de Lisboa”.

O candidato, que atualmente é deputado do Bloco na Assembleia Municipal, considera que “os últimos anos na Câmara de Lisboa têm sido muito condicionados pelas maiorias absolutas do Partido Socialista”. Para o candidato à Câmara, “esse conforto da maioria absoluta tem feito esquecer os principais problemas da cidade, como a habitação, os transportes, a transparência, e, por isso, uma presença forte do Bloco na Câmara Municipal de Lisboa pode fazer uma grande diferença”.

O candidato notou que as listas são compostas por “gente que nasceu no nosso país e gente que nasceu fora, mas que está interessada na sua cidade e quer lutar pela sua cidade".

"Temos homens e mulheres de várias proveniências e vários ativismos, temos gente da luta LGBT e temos gente na área da luta dos imigrantes, temos gente do trabalho e da área sindical, temos gente ativista do ciclismo por uma cidade ciclável, temos gente com conhecimento na área da mobilidade e temos um grande conjunto de pessoas que se bateu pela habitação na cidade de Lisboa”, referiu.

"Cuidados de saúde em Lisboa não têm estado ao nível que devem estar"

Ricardo Robles aproveitou o momento para abordar o tema da saúde, debruçando-se sobre a apresentação do projeto para o novo Hospital Lisboa Oriental, que irá contar, segundo o Governo, com 875 camas, e que está planeado para entrar em funcionamento em 2023.

Para Ricardo Robles, a diminuição do número de camas do futuro hospital é uma questão técnica usada pelos especialistas e pelo Governo para justificar outra forma de olhar para os cuidados de saúde na cidade.

Mas "a realidade é que, neste momento, já estamos em défice e, portanto, vamos avançar para um novo hospital, encerrando outros e reduzindo o número de camas”, sinalizou o candidato.

“Essa é uma preocupação muito grande, porque os cuidados de saúde em Lisboa não têm estado ao nível que devem estar numa cidade tão importante como a capital do país”, alertou.

Ricardo Robles manifestou também preocupação relativamente ao futuro dos hospitais que se localizam no centro da cidade, como o Hospital de São José, Santa Marta, Dona Estefânia, Curry Cabral, Capuchos e Maternidade Alfredo da Costa, cujas valências serão transferidas para a nova unidade.

Para o candidato do Bloco de Esquerda, o modelo da Parceria Público-Privada apresentado pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, "é errado", uma vez que os casos já existentes "têm dado os piores resultados".

“O Bloco de Esquerda defende que, logo no início do próximo mandato, seja tomada uma decisão de discussão ampla, de debate público, como fizemos noutras dimensões, sobre a questão do novo hospital, e, em particular, sobre o encerramento dos hospitais na zona central e na colina de Santana”, salientou Ricardo Robles.

O candidato alertou ainda que a zona da colina de Santana, onde está localizado atualmento o Hospital de São José, representa “toda uma zona sobre a qual a especulação imobiliária tem incidido”, e recordou que, em “2013, assistimos a um forte ataque por parte da Estamo, que é a proprietária por parte do Estado, numa operação gigantesca de especulação imobiliária, e que o projeto foi travado, e ainda bem”.

Ricardo Robles lamentou que a informação transmitida pelo Governo à Assembleia Municipal sobre o futuro dos hospitais da cidade seja “muito parca”, e mostrou preocupação “porque sabemos que, para além do novo hospital na zona oriental, precisamos de cuidados de saúde de proximidade, e precisamos de manter algumas especialidades no centro da cidade, sendo que a questão dos hospitais pediátrico e maternidade é fundamental”. Mostrou ainda “muita disponibilidade para fazer essa discussão, que é importantíssima para a cidade e que a cidade quer fazer”.

Artigo originalmente publicado em Esquerda.net a 2 de Agosto, 2017 - 16:52h