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Maria Matos - atirar a pedra e esconder a mão

A vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa (CML) anunciou numa entrevista ao Público em dezembro passado que nos próximos meses seria feita uma reorganização da rede de teatros municipais e que o Teatro Maria Matos seria entregue à exploração de uma entidade privada.

Esta segunda-feira Catarina Vaz Pinto veio responder às perguntas dos deputados municipais e esperava-se que os planos de entrega do Maria Matos anunciados na imprensa tivessem expressão nos documentos oficiais. Infelizmente não foi essa a opção da vereadora da Cultura.

Da leitura do orçamento da CML, das Grandes Opções do Plano 2018-2021, do Plano de Atividades da EGEAC e mesmo do Contrato Programa da EGEAC resulta uma enorme perplexidade: a entrega do Maria Matos a privados não consta.

Podia ser um sintoma de falta de transparência da vereação da Cultura, mas na verdade parece mais falta de convicção em insistir num erro. Aliás, esse passo atrás seria totalmente compreensível, mais ainda depois da mobilização cidadã contra a privatização do Teatro Maria Matos que já recolheu duas mil assinaturas e que vai ser entregue no próximo dia 15 de janeiro. Esta petição, que junta vários nomes da cultura de Lisboa, põe o dedo na ferida, exigindo a gestão pública do Maria Matos e relembrando o enorme investimento na requalificação do espaço, na aquisição de equipamento técnico de ponta, na formação dos recursos humanos e na formação de públicos diferenciados.

Infelizmente, escusando-se a detalhar o seu plano, Catarina Vaz Pinto reafirmou esta segunda-feira aos deputados da Assembleia Municipal de Lisboa a sua vontade de entregar o Maria Matos a privados. O Bloco de Esquerda, por considerar que os equipamentos culturais da cidade, como o Teatro Maria Matos, são instrumentos imprescindíveis da política cultural e do serviço público, continuará a opor-se a esta opção que é um erro.

Artigo originalmente publicado em Esquerda.net a 9 de Janeiro, 2018 - 14:11h