Piscina dos Olivais: Banhos, só de promessas

 “É muito triste um espaço desta dimensão, com três piscinas, sala de judo, campo de ténis e ginásio, estar tão subaproveitado. Este equipamento representa muito para a população desta zona. Dantes decorriam cá provas internacionais de natação e havia sempre muitos utentes. Agora a degradação está à vista e a afluência de pessoas tem sido muito menor (…)"É uma pena que se tenha deixado chegar a este ponto, quando podiam ter sido feitas obras ao longo do tempo", lamentava sabiamente, na altura, Paulo Pereira, funcionário das piscinas dos Olivais, ao Diário de Notícias.
O Complexo Desporto dos Olivais, popularmente conhecido como piscina dos Olivais, serviu várias gerações de olivalenses e demais cidadãos dos concelhos de Lisboa e Loures, até fechar portas, em estado indigno, em 2005.
A história conta-se depressa e sem grandes dificuldades, na verdade, o prefácio não é novo: o equipamento municipal foi deixado ao abandono, degradou-se, e, com isso, ficou inutilizável, encerrando por fim. Anos mais tarde, em 2008, uma equipa fiscalizadora da União Europeia, tomando conhecido do estado devoluto do equipamento coletivo, exige a devolução dos fundos europeus investidos.
Não só o considerável investimento público foi literalmente “levado por água abaixo”, como se pagaram multas desnecessariamente. Uma manutenção continuada teria defendido o interesse público, sido amiga da prática desportiva e, acima de tudo, mais económica. Bem sei que não foram inibições ou estratégicas opções racionais que marcaram o nada saudoso mandato do Dr. Santana Lopes, que à época entendeu por bem lançar sete concursos simultâneos para novas piscinas – uma delas praticamente vizinha da Piscina dos Olivais.
Como uma boa história da política portuguesa não dispensa sinergias do Bloco Central avancemos uns anos.
Em 2010, a empresa espanhola Ingesport ganha a concessão a 35 anos da piscina dos Olivais, comprometendo-se com a requalificação de todo o complexo. Em 2012, é anunciado pela empresa um investimento de 8 milhões de euros e a certeza da reabertura no verão de 2013. Para essa ocasião, António Costa, com pompa e circunstância, lança a primeira pedra da obra, cataloga a parceria de inovadora (!) e apressa-se a anunciar a futura tabela de preços (1).
Uns meses passados, as obras no rebatizado Go Fit Olivais e a visionária parceria público-privado do executivo socialista começam a meter água. Em maio de 2013, tudo continua suspenso, pelos vistos, a grandiosa empresa decide contratar uma nova construtora civil para baixar custos. O então vereador do Desporto Manuel Brito lamenta-se e classifica o dossier das piscinas de Lisboa como o “mais difícil do seu mandato”, culpa a “crise financeira” pelos atrasos e garante que as obras ficarão concluídas no final do ano… de 2014 (2).  A anunciada rutura com o passado veio-se provar manifestamente exagerada.
Mas, nada melhor que uma campanha eleitoral autárquica para reanimar os ânimos. Estamos em setembro, as eleições estão à porta e o incómodo com as promessas falhadas faz-se sentir. Solução? Antecipar a renovação da promessa. Para o efeito, convocou-se a imprensa e uma excursão aos estaleiros composta pelo vereador da tutela, Manuel Brito, o presidente da junta, José Manuel Rosa do Egipto, o presidente da concessionária espanhola, Gabriel Sáez Irigoyen e a Rosa Mota. Resultado imediato? O mesmo vereador que empurrava a inauguração da obra para finais de 2014, instantaneamente, passou a garantir, com o apoio da Ingesport, o fim da obra para abril de 2014 (3).
Curiosamente, esta mesma semana, uma vez mais pela comunicação social (4), ficamos a saber que a abertura é uma vez mais adiada, desta vez para Outuno de 2014, porquê? As barreiras do costume: empreiteiro, inverno rigoroso (!) e problemas de fornecimento de energia.
Ironicamente, as alegações que sempre motivaram a morosidade da requalificação do complexo desportivo, só mesmo ausentes no período eleitoral autárquico. Como se sabe, meteorologicamente pouco dado à seriedade política para os ocupantes da Rua de São Caetano na Lapa e do Largo do Rato.  
Uma coisa é certa, passaremos mais um verão refrescados de promessas, mas sem piscina.  

 

(1) - http://expressodooriente.com/?p=7836

(2) - http://expressodooriente.com/?p=11100

(3) - http://expressodooriente.com/?p=13927

(4) - http://www.publico.pt/local/noticia/atraso-nas-obras-da-piscina-dos-olivais-adia-inauguracao-para-o-outono-1632265