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Transportes e mobilidade

Agilizar a mobilidade na cidade de Lisboa é um dos principais desafios colocados aos órgãos de governo municipal. Em termos europeus, os lisboetas são dos mais insatisfeitos com a rede de transportes coletivos ao seu dispor e, ao mesmo tempo, dos que enfrentam movimentos pendulares e tempo despendido entre casa e trabalho mais longos. 

O governo de Passos Coelho e Assunção Cristas esforçou-se para entregar os transportes públicos a interesses privados e, por isso, promoveu uma campanha de desinvestimento e degradação dos seus serviços. A política de austeridade nos transportes teve pesadas consequências: a título de exemplo, até 2013, o Metro de Lisboa e a Carris tinham perdido 65 milhões de passageiros.

Para o Bloco de Esquerda é uma questão de princípio que os transportes públicos sejam propriedade pública e que a Câmara Municipal de Lisboa e o Estado central devam garantir que estes correspondam às necessidades dos cidadãos.

A urgência está em transformar os transportes públicos no meio mais eficaz para circular em Lisboa. Com esse objetivo, o Bloco apresenta seis prioridades:

 

I) Autocarros e elétricos: mais horários e carreiras

Quem se desloca de autocarro sabe que espera demais e que existem horários e zonas de Lisboa onde a oferta é insuficiente. São precisos horários e carreiras que se articulem com os outros transportes para que a circulação se faça com tempos de espera mínimos.

É necessário investir nos elétricos para melhorar o serviço público nas zonas sobrecarregadas pelo turismo e criar novas linhas: estender o 15 da Praça da Figueira até ao Parque das Nações e iniciar a coroa circular norte ligando o aeroporto a Algés.

 

II) Fazer crescer a rede do Metro e aumentar a sua frequência

Anos seguidos de políticas de austeridade degradaram a oferta do Metro de Lisboa. Não existem composições suficientes em circulação, as carruagens estão sobrecarregadas de utentes nas horas de ponta, os períodos de espera superiores a 15 minutos banalizaram-se e as perturbações nas linhas tornaram-se cada vez mais frequentes. É necessário aumentar o investimento no Metro de Lisboa, diminuir o tempo de espera e aumentar o número de carruagens em circulação.

Para além disso, o Metro de Lisboa tem que chegar a todas as zonas da cidade. O município, que deve passar a participar ativamente na gestão do Metro de Lisboa, deve defender a sua expansão para a zona ocidental da cidade, integrando desta forma na sua rede as freguesias de Campolide, Campo de Ourique, Alcântara, Ajuda e Belém.

 

III) Passes intermodais e acessíveis

A política tarifária de transportes deve ter um objetivo estratégico: a tarifa livre, a defesa da gratuitidade da utilização de transportes públicos na cidade por toda a sua população residente e presente. Só assim se poderá caminhar para a substituição progressiva do transporte individual e para uma cidade ambientalmente sustentável.

No plano imediato, é necessário assegurar o começo deste caminho com a criação de um passe gratuito para a população sénior, desempregados e estudantes e aprofundar a intermodalidade dos passes e disponibilizar bilhetes a valores acessíveis.

 

IV) Estacionamento com sentido

Quem vive fora de Lisboa mas cá trabalha deve ser incentivado a não trazer o seu automóvel para a cidade. A Câmara Municipal deve desenvolver parcerias com os concelhos vizinhos e com as empresas de transporte coletivo, tendo em vista a construção de parques de estacionamento gratuitos à porta da cidade com acesso direto às redes de transporte de autocarro ou metro.

Nas zonas da cidade onde existe maior dificuldade em estacionar, o município tem que garantir alternativas para os residentes firmando protocolos com entidades privadas, que tenham utilização exclusivamente diurna dos seus espaços, com proprietários de terrenos disponíveis inutilizados e com entidades públicas que disponham de espaço para o efeito.

 

V) Bicicleta: mobilidade alternativa

A rede de ciclovias e de estacionamentos tem de ser expandida com envolvimento da comunidade de utilizadores para que a bicicleta possa ser uma alternativa de segurança.

O Bloco de Esquerda defende a concretização de uma rede de bicicletas partilhadas que esteja interligada com os transportes públicos.

 

VI) A pé, com segurança

Quem anda a pé ou se desloca com mobilidade reduzida não pode ser excluído do gozo pleno da cidade. O alargamento dos passeios com pavimentos mais regulares, o combate ao estacionamento selvagem, a generalização dos semáforos inteligentes que privilegiam o sinal verde para os peões e a criação de mais áreas pedonais e de zonas de velocidade reduzida a 30 km/h são medidas necessárias para aumentar a segurança dos peões e promover mais e melhor cidadania. 

Sugestões recebidas:

«A rede de bicicletas partilhadas, que supostamente irá entrar em funcionamento brevemente, deve ser de utilização gratuita para quem tem um passe dos transportes públicos.»

JC, Alvalade 

 

«Há muita falta de manutenção das escadas rolantes de acesso ao metro. A CML intervir mais junto do Metro de Lisboa para garantir que os acessos estão a funcionar em condições.»

JB, Misericórdia

 

«Precisamos de voltar a ter algumas carreiras da rede da madrugada. Quem trabalha à noite precisa de se deslocar e muitas vezes só de taxi é possivel.»

AS, Ajuda

 

«Restabelecer a totalidade de linhas de eléctricos que foram encerradas ao longo dos anos.»

MC, Campo de Ourique

 

«Para que todos aqueles que se movem na cidade, sejam pedestres ou veículos a motor, o façam de forma segura e fluída, é fundamental que também as marcas rodoviárias da cidade e os semáforos sejam revistos. Isto implica, por exemplo, perceber se os traçados săo os mais adequados à actual realidade da cidade, se as pinturas estăo visíveis ou se o controlo da semaforizaçăo é o mais conveniente. Infelizmente, parece-me que esta questăo tem estado muito relegada, tendo por consequência pequenos acidentes que congestionam imenso o trânsito e, muito mais grave, atropelamentos que, muitas vezes, acabam em morte.»

CL, Alvalade

 

«Alterar o modo como funcionam os semáforos de lisboa de modo a que os do peão fiquem mais tempo no verde. Em Lisboa os semáforos ficam tão pouco tempo no verde que nem dá tempo de uma pessoa atravessar de um lado ao outro  quanto mais se for de mobilidade reduzida. As pessoas acabam muitas vezes por ficar entre as duas faixas  que é uma situação de perigo principalmente em grandes avenidas. (Exemplo disso a avenida da República e a avenida de Ceuta). Também, tendo em conta as pessoas de mobilidade reduzida, passeios mais largos e fiscalização no estacionamento.

Tornar os transportes de lisboa acessiveis a pessoas com mobilidade reduzida. Mais elevadores, mais rampas. O metro da cidade universitária que dá acesso ao hospital Santa Maria é inacessível para alguém com mobilidade reduzida e como este muitos outros.»

IF, Vive fora de Lisboa

 

«- É inaceitável que as escadas rolantes do metro Baixa/Chiado estejam tão frequentemente avariadas e paradas...
- É uma vergonha que - com cada vez mais turistas na cidade - o parque da EMEL da Calçada do Combro continue com as escadas sem telhado (e, portanto, com a chuva a escorrer escadas abaixo)
- Não faz qualquer sentido que os peões e os ciclistas nâo tenham uma proteção especial nas ruas de maior afluxo de trânsito, como a Cc do Combro - Camões - Cais do Sodré - Príncipe Real - Rato.»

JP, Misericórdia

 

«Lisboa partilhada. Lisboa acolhedora? Milhares de pessoas que trabalham ou estudam em Lisboa, ou que aí se deslocam de autocarro, chegam à Praça de Espanha e deparam com uma  grande central rodoviária a céu aberto(!!). Vêm da margem esquerda do Tejo (Costa da Caparica, Setúbal, Sesimbra, Almada...) ou vão para essas zonas. Não há um WC. Aos fins de semana e a partir do fim da tarde não há um balcão para pedir uma informação. Não há infraestruturas, nem telhados ,nem paredes, nem edifícios. Seja verão ou inverno. Tenha que se esperar uma hora ou várias horas. NADA! É uma vergonha. Há que começar a trabalhar para a construção de uma central. O Bloco pode dar os primeiros passos. Não conheço tal desprezo pelos utentes em nenhuma cidade do país ou estrangeiro. As pessoas porque  vivem entre concelhos são descartadas, os seus direitos não são reconhecidos.É como se as pessoas não existissem, a não ser como pagantes dessa empresa multinacional parasita e monopolista que se chama TST(Transportes Sul do Tejo) protegida pelos poderes públicos e municipais da região abrangida.»

JP, Vive fora de Lisboa

 

«No que toca à poluição na cidade de Lisboa, o sector rodoviário é sem duvida o que tem mais impacto na vida dos cidadãos, seja por via da poluição sonora como do ar (partículas gases tóxicos). Neste campo penso que existe uma janela de oportunidade de melhorar em muito a qualidade de vida dos cidadãos tocando nos veículos que mais circulam e mais poluem a cidade.

O conjunto de veículos de transporte público movidos a gasóleo (Táxis e autocarros) apresentam uma idade média elevada e um grande impacto associado (poluição e ruído). Estes dois sectores deviam ser regulamentados, tal como foi feito para os automóveis particulares, em que se regulou a entrada em certas regiões centrais em função da idade (embora este critério devia ser melhorado). Seja pela limitação por idade ou com melhor controlo das emissões do veículo (muitos táxis mesmo recentes circulam ilegalmente sem filtro de partículas, de forma a evitar despesas de manutenção, resultando em nuvens de fumo preto que observamos todos os dias). A regulamentação dependeria da motivação para a mudança, prevendo-se difíceis negociações. O impacto desta medida seria enorme, uma vez que um taxi/autocarro circula largas horas por dia, ao passo que um veículo particular circula em períodos curtos de aprox 30min/dia. Com uma cidade mais respirável não só melhoramos a vida de todos como incentivamos a prática de mobilidade suave (ex:andar a pé/bicicleta) o que contribui para a solução do problema numa lógica de alimentação positiva.»

JC, Santa Maria Maior

 

«Para que quem vive em Lisboa possa voltar a usar os Elevadores e Eléctricos da Carris, sugiro que pessoas portadoras de passe mensal tenham prioridade na entrada destes transportes. Deve instalar-se sinalética em conformidade.»

FS, Santa Maria Maior

 

«Criação de uma plataforma online, gerida e propriedade do Município, sem fins lucrativos e que vise a partilha do transporte individual: boleias, empréstimo do carro no fim-de-semana, etc.»

SC, Olivais

 

«Criação de um sistema público de aluguer de bicicletas, integrado na rede de transportes públicos, à semelhança do que existe em barcelona.»

J, Lumiar

 

«Hoje foi lançado o projeto piloto das bicicletas partilhadas. Li nas noticias que para usar as bicicletas tem de se pagar 15 euros por mes e ainda mais 10 ou 20 centimos por utilizacao se a bicicleta for manual ou eletrica. Este valor nao se paga se usarmos a bicicleta mais de 40 vezes. Acho o sistema absurdo. As bicicletas devem ser uma alternativa aos transportes e por isso deveriam ser gratuitas para quem tem passe e nao deviam ser acessiveis a turistas que já tem outras alternativas de empresas privadas. Tambem me parece um erro concentrar todas as estações nas zonas turísticas e centrais. A logica parece ser a do negocio e nao das necessidades das pessoas que aqui vivem.»

CJ, São Domingos de Benfica